segunda-feira, outubro 19, 2009

Transparente


Melancholy - Edvard Munch

Esmorece o sorriso no seu olhar em brasa. A redoma por aí ficou jazendo vazia. Já nada resta do doce encantamento. Nada resta daquele tempo em que centelhas luziam na união dos nossos lábios. Das nossas madrugadas confidentes esperando pelo nascer do Sol. Alada, transbordante de luz, alumiando este meu coração revestido de lugente alabanda… Nada resta… Agora o seu nome vem escrito com bistre em papel barato de embrulho. Palavras esfaceladas, espalhando-se sombrias ao sabor do vento cortante que persiste na minha alma. E se por desventura vier um momento onde ainda surja orlada em flamantes filigranas, de imediato fecharei os meus olhos por um segundo nada mais, para depois a ver de novo simplesmente como é. Transparente.

Transparente - Jorge Dourado

8 comentários:

moça disse...

Primas!!!

JFDourado disse...

Biba!!! ;D

isabel mendes ferreira disse...

que belo!




mesmo!





persiste depois da leitura...



obrigada.

Ana disse...

:) tão bonito! estás cada vez melhor com as palavras, tu :)

© Piedade Araújo Sol disse...

comovente e verdadeiro.

e fica a recordação...

um beij

Nirvana disse...

Lindo ;)
Obrigada por partilhares connosco, de vez em quando, as tuas palavras.
Muito, muito bonito!
Beijinhos

moriana disse...

tudo é fugaz...

:)

JFDourado disse...

obrigado :D