segunda-feira, outubro 08, 2007

Doze moradas do silêncio


Van Gogh - Field of Poppies

Envolver-me na mais obscura solidão das searas e gemer

Amassar com os dentes uma morte íntima

Durante a sonolência balbuciante das papoulas

Prolongar a vida deste verão até ao mais próximo verão

para que os corpos tenham tempo de amadurecer


colher em tuas coxas o sumo espesso

e no calor molhado da noite seduzir as luas

o riso dos jovens pastores desprevenidos...as bocas

do gado triturando o restolho....as correrias inesperadas

das aves rasteiras ....


e crescerei das fecundas terras ou da morte

que sufoca o cio da boca.....

...subirei com a fala ao cimo do teu corpo ausente

transmitir-lhe-ei o opiáceo amor das estações quentes.


Al Berto - Doze moradas do silêncio


7 comentários:

Ana disse...

:)

Lis disse...

Não tive tempo de ver todo o blog por isso te pergunto: há textos teus por cá?

Um abraço e volta sempre.

JFDourado disse...

São tão poucos que é necessário pedir ajuda à PJ para os encontrar ;)

Agosto 2006: a dança fingida; Mulher magnólia - Setembro 2006: A estrela e os girassóis - Dezembro 2006: Uns pozinhos de perlim pim-pim - Março 2007: Preciso de palavras, de amor.

addiragram disse...

A beleza da dor...

Claudia Sousa Dias disse...

Este dá para ler em voz alta...

Apetece-me roubar o quadro...


CSD

Ana disse...

é esta a maravilha da poesia do Al Berto: lê-la em voz alta:) parece que todos os textos dele pedem, imploram para serem ditos

Andreia Ferreira disse...

Al Berto... Sempre tão grande e, no entanto, ainda tão pouco conhecido...

Olá :)