quarta-feira, abril 25, 2007

V


William A Bouguereau - Amour a laffut

Que a noite te não toque, nem o ar nem a aurora,

só a terra, a virtude dos cachos,

as maçãs que crescem ouvindo a água pura,

a lama e as resinas do teu país fragrante.


De Quinchamali onde te moldaram os olhos

aos teus pés para mim criados na fronteira

tu és a argila escura que conheço:

nas tuas ancas toco de novo todo o trigo.


Tu não sabias talvez, araucana,

que quando antes de amar-te me esqueci dos teus beijos

o meu coração ficou lembrando a tua boca


E andei como um ferido pelas ruas

até perceber que havia encontrado,

amor, meu território de beijos e vulcões.


Pablo Neruda - V - Cem sonetos de amor